A informação vence o medo

Antes de tratar o seu filho como um delinqüente é preciso ter uma conversa franca, aberta e amigável com ele.
É disso que ele precisa no momento. Não adianta fingir que nada está acontecendo, ou tomar medidas que possam ser interpretadas como conivência com a droga.
Com calma e paciência, o assunto deve ser discutido de frente. Se o jovem vem de uma família bem estruturada, cujas relações são baseadas em diálogo e pais modelos, pode até chegar a experimentar drogas (eventualmente), porém, não fazem uso dela.
Na maioria das vezes o jovem parte para a primeira experiência por mera curiosidade, achando que pode parar quando quiser, alguns conseguem. Porém, outros acabam aumentando as doses; indo para as drogas mais pesadas e perigos
O pré-adolescente começa a se auto-afirmar, a buscar referenciais. Essa é uma fase de transição, um momento em que se começa a experimentar novas sensações por meio de coisas ofensivas e inofensivas. Eles se testam na família, na escola e nas drogas. “Nesta fase específica, o jovem está mudando, ou buscando um referencial, principalmente aqueles envolvidos com drogas. Em geral é uma fase em que o jovem se torna arredio e introspectivo”. A procura da droga já é um sinal de insatisfação, mas a dependência se estabelece numa reciprocidade: quando a droga é suficientemente forte para amarrar um jovem, e este fraco o bastante para se deixar envolver, tudo depende da história de vida de cada um.
Um viciado, de forma geral, é alguém que se vê num determinado momento, diante de uma série de conflitos e não tem estrutura para encará-los. E é aí que a droga funciona como válvula de escape: a droga libera tensões, é uma maneira de relaxar e de se aliviar.
Por mais que uma turma influencie um jovem, existem conflitos que o levarão a buscar a aceitação em um grupo que não a família. É na família que entram em cena forças emocionais como: medo, depressão, otimismo, teimosia, autoridade, submissão, protestos, rebeldia, obediência, diálogos, discussões. No caso dos adolescentes, a tudo isso ainda, se acrescenta o choque das gerações.
Não são as tenções que causam o conflito, mas a incapacidade de dimensionar, discutir e resolver essas tensões. E, para alguns jovens, a droga passa a ser vista como uma “saída”, para a solução das tensões. A família é um forte componente que influencia na decisão de o jovem buscar ou não a droga. Há vários tipos de família: há aquela em que o filho será sempre uma criança. Existem famílias que não há regras estabelecidas, enquanto outras não desenvolvem qualquer tipo de responsabilidade no filho. São alguns estilos de vida que não criam no adolescente a consciência de buscar soluções saudáveis para qualquer tipo de problema ou sofrimento.
Famílias marcadas por separações, ausência do pai ou da mãe, desarmonia ou falta de afeto também são alguns dos cenários, propícios para o surgimento de problemas como a droga. Sempre digo que, “o adolescente que vive num clima de insegurança na família mal constituída será uma presa fácil para a droga que vai preencher o vazio afetivo no qual ele cresceu”.
Quando vejo um jovem dependente de droga ,imagino o que este está sentindo,pois eu já sofri isso na pele .estudar a família ou procurar saber detalhes da história familiar.;procurar saber sobre o apoio, compreensão, diálogo. São atitudes importantes na aproximação entre pais e filhos, e, muitas vezes, são esquecidas. DEUS teve misericórdia de mim.
Não existe tratamento em clínicas especializadas,se estas não falam de DEUS.
Os pais lembram que os filhos não são mais crianças, mas também não o respeitam como adultos.
"A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma, envergonha a sua mãe." (Provérbios 29 : 15) "E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor." (Efésios 6 : 4)
Levantar as causas do problema, aceitar falhas, enfrentar medos e insegurança não significa procurar culpados para condená-los. Nenhum pai ou mãe do jovem ou adolescente precisa ser execrado porque errou ou falhou. Quando dissecamos as causas do assunto, ou fazemos uma radiografia da família, estamos procurando meios de ajudar o jovem se encontrar, dialogar com os pais e viver bem em sociedade. É preciso, no entanto, deixar a vergonha e o preconceito de lado, reunir forças e coragem para enfrentar o problema. Aprendi muitas coisas durante esta luta e garanto que é doloroso. Mas essa, talvez, seja a ocasião para se fazer uma reavaliação de como tem sido a vida em família, e se propor a mudar o que for preciso: “Se alguém não cuida dos seus, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um incrédulo.” (1Tm 5.8.)

Rosalice Santos Dias – Missão Êxodo
adapitado por Márcio borges de carvalho